Contestável ou incontestável?
Estes dias recebi um destes presentinhos que não se pode comprar: a indicação de uma leitura preciosa, interessante. Trata-se do conto "The Lottery", de Shirley Jackson. Indico-a a você também:
http://luisvpinto.no.sapo.pt/lotaria.html (em português), http://www.classicshorts.com/stories/lotry.html (em inglês).
Quero reservar as surpresas desta leitura e, por isso, tentarei não revelá-las aqui. Porém, ao mesmo tempo, gostaria de dar umas “cutucadas” - :) - nos seus pensamentos, mesmo que você não venha a ler este interessantíssimo conto. Ao tratar da arbitrariedade, do acaso, do quase-insano, é possível, surpreendentemente, reconhecermos a nós mesmos na situação vivenciada por aquela comunidade retrada em "The Lottery" , numa perspectiva coletiva. Fazemos assim. Nos comportamos assim. Temos nossos rituais. Nossas posturas coletivas. Mas por que as temos? De onde vieram? São elas relevantes ainda? Ou, indo além, será que elas jamais o foram? E, mesmo tendo sido, por que eu, como indivíduo, participo delas? Ou será que nem percebo como participo destes rituais comunitários, de carácter tradicional/ histórico, sem me perguntar o porquê, fazendo-me de desentendido, como uma gota que deve seguir o fluxo do rio? Deve mesmo? Será que eu sequer enxergo esses rituais ou será que nem percebo que eles existem?
Rituais que, por vezes, se considerados com cuidado e analisados, podem causar a repulsa.
Talvez seja no momento em que damos lugar à pergunta, ao questionamento, à reflexão sobre o que é meu, sobre o que tenho como valor pessoal, sobre minha postura em relação a isso e como me comporto na coletividade é que se tenha um vislumbre de uma realidade que seja outra, diferente, uma que não nos compreende: a realidade dos outros, do desconhecido* e é provável que ela se choque violentamente com o que tenho como meu, acabado e previamente estabelecido.
*um poeminha abaixo trata um pouco disso: “When you grow old…”. Dê uma olhada :).
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