Minha dor é muito minha,
mas venha aqui, eu vou lhe contar.
É uma dor muito ressentida
de um sentimento a compartilhar.
É de sentir a dor do doutro,
da injustiça, da falta de ar.
Ar de todos? Será?
Senta e chora a dor sofrida
daqueles que têm o lamúrio em seu paladar.
Mas que nunca foram ouvidos, nem considerados em seu soluçar.
Senta e chora a dor calada.
A força dos muros e das multidões.
Somos, juntos, muito separados,
Somos muitos e somos ninguém.
Todos juntos de lugar nenhum.
Sem nos reconhecer no conviver.
Senta e chora, mas não se incomoda,
não se demora em seu escutar.
Senta e chora e vai-se embora,
sem ter medo por não parar.
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